quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Programa Ajuda de Berço auxilia mães adolescentes de baixa renda do DF

Promovido pela ONG Direito de Viver, ação visa à inclusão social de adolescentes gestantes e mães de baixa renda do DF. Segundo pesquisa, 67,5% não possuem metas e mais da metade abandona a escola

O trabalho feito pela ONG Direito de Viver não se restringe a tratar o tema aborto sem pensar nas razões que levam as mulheres a interromper a gravidez. A organização se preocupa ainda em apoiar mulheres grávidas, ajudando-as a acolher os filhos e ter uma boa vida familiar.

Com a finalidade de traçar o perfil da maternidade entre jovens de baixa renda do Distrito Federal (DF), a ONG Direito de Viver, em parceria com a Universidade de Brasília (UnB) e o Hospital Universitário de Brasília (HUB), ligado à instituição, elaborou uma pesquisa que pudesse fornecer dados para a tarefa.

A pesquisa apontou dados alarmantes, que merecem a atenção e a preocupação da sociedade. Grande parte das mães tem baixo nível de escolaridade, não trabalha e/ou não tem projeto de vida.

Para a coordenadora do estudo e pesquisadora ligada a Direito de Viver, pediatra Karin Schmidt, o que mais chamou a atenção foi a ausência de perspectiva de vida para essas mães. Karin conta que 67,5% das meninas estão inertes em relação ao futuro. "Se antes de engravidar elas já não possuíam muitas metas, com as responsabilidades de criar uma criança, tudo fica mais difícil. A maioria não falava de sonhos. A falta de expectativa ajuda a perpetuar o círculo da pobreza", lamenta.

Diante dos fatos apresentados, a Direito de Viver lança um programa de assistência médica e social para as jovens gestantes de baixa renda do DF – o Ajuda de berço. O programa atuará em todas as cidades do DF com o intuito de proporcionar a essas meninas ajuda eficaz para superar obstáculos que ameacem o direito à maternidade. As ações do programa englobam orientações psicológicas e médicas de como cuidar do corpo durante a gravidez, além de reforçar a idéia de que o aborto é uma solução drástica e a mais nociva para a saúde da mulher.

A estrutura do projeto, além de contar com o apoio de profissionais da área da saúde, como médicos, enfermeiros e psicólogos, também vai ter orientação de assistentes sociais, promovendo o Ajuda em casa, que consiste em acompanhamento social e domiciliar da família da gestante para conscientizá-los de que a adolescentes precisa de apoio dos entes queridos em período delicado.

A coordenadora do projeto Ajuda em casa, assistente social Bianka de Sousa, explica que é fundamental desenvolver um trabalho de conscientização de que a gravidez é algo com que não se pode brincar. "Temos de mostrar para essas pessoas que a vida delas não acabou porque vão ter um filho. Queremos, assim, evitar que elas pratiquem aborto", comenta. Bianka também ressalta a importância de incluir as meninas na sociedade durante e depois da gravidez. "Mais da metade dessas mães que estudavam largaram a escola durante a gestação devido a problemas como vômitos, náuseas, vergonha da gravidez ou desestímulo. Desse total, menos de 40% retornaram à escola após o nascimento do bebê", avisa.

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